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I totally, basically live in Elysium.

10 set

O novo filme de Neill Blomkamp ensaia crítica social com pequenas pinceladas de filmes distópicos como THX 1138, mas acaba se rendendo a Hollywood e a seus flashbacks constrangedores e momentos emocionais que não emocionam.

Wagner Moura se esforça para entregar uma atuação frenética ao estilo Heath Ledger-Joker, mas, infelizmente, o resultado fica mais próximo de um Joe Pesci em Máquina Mortífera.

Já Matt Damon, protagonista relutante, faz as vezes de latino com sotaque americano, tão crível quantos os italianos das grandes novelas brasileiras. Digna de nota é sua resposta quando questionado sobre sua riqueza enquanto astro hollywodiano e sua possível presença num Elysium real:

Boa Matt!

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90! Kerouac e On the road, o filme.

12 mar

"Ahhhh, Charlie Parker!!!"

Post para celebrar os 90 anos de um velho amigo. Não poderia faltar aqui, é claro, Jack no Steve Allen Show lendo um trecho de sua obra-prima:

E aqui o primeiro trailer da adaptação para o cinema que deve estrear em Cannes:

A narração em off do início (com um Sal Paradise rouco e pouco enérgico) compreende um trecho da primeira sentença do manuscrito original do livro (já que cita a morte do pai ao invés do familiar “after my wife and I split up” da versão “oficial”) para, logo em seguida, emendar numa frase presente somente no roteiro “eu era um jovem escritor tentando decolar”.

Estes dez segundos iniciais já devem deixar os admiradores de On the road temerosos em relação ao didatismo da boa e velha Hollywood presente na adaptação de Walter Salles. Instantaneamente a memória me trouxe o início de A Vida de Emile Zola, o filme de 1937, com aquele Zola caricato explicando ao público que será um grande escritor um dia. O trailer vai adiante com a apresentação do elenco teen (aquele moleque de óculos seria o Ginsberg?), passa por um Viggo Mortensen/Old Bull Lee um pouco velho demais para fazer parte desta turma (é bom lembrar que William Burroughs tinha apenas oito anos a mais que o Kerouac, não vinte), por um Dean Moriarty em meio a uma crise de consciência (ah, Hollywood!) e finaliza de modo previsível com o trecho dos mad ones.

Até os trechos da apresentção de jazz me deixaram desconfiado. No livro lá estão Sal e Dean, sentados, pasmados, observando o saxofonista que tenta alcançar “aquilo” – ou brigar com o duende, caso prefiram pactuar com Lorca; assim pois o duende é um poder e não um obrar, é um lutar e não um pensar –, já no trailer estão todos dançando loucamente, quase como numa San Francisco que já é hippie.

Torçamos para que o filme seja melhor que isso. E feliz aniversário, Jack!!!

Truffaut & Cocteau.

6 mar

Truffaut e Cocteau em 1959.

Mestre, aqui nada de lisonjas, nada do blá blá blá usual, nenhuma dessas fórmulas clichês que só tem como objetivo dissimular a verdadeira personalidade daqueles que as empregam.

Estou fundando um clube de cinema que não dispõe de publicidade de qualquer tipo.

A sessão inaugural ocorrerá domingo dia 14 com a exibição de “O Sangue de um Poeta”. De sua presença ou ausência depende a vida ou a morte de meu “Círculo Cinemania”. Este Circulo é como uma criança prematura, tem pouca chance de sobrevivência.

Precisa de uma incubadeira − que só pode ser o senhor. Se aceitar apresentar seu filme domingo, às 10 da manhã, a criança sobreviverá. Senão, será mais um natimorto.

É com um pouco de angústia e muita esperança que aguardo, mestre, a sua resposta. Receba, com esta súplica, minhas saudações de muito respeito e admiração.

O belo texto de Pedro Corrêa do Lago (para o blog da revista Piauí) dá conta de um garoto de dezesseis anos rogando ao “mestre” Cocteau que compareça ao seu cineclube. O garoto era François Truffaut.

Cocteau não compareceu ao cineclube, mas, dez anos depois, estaria presente na consagração do rapaz no Festival de Cannes onde foi exibido Os incompreendidos.

Carta de Truffaut a Cocteau. 1948.

Fica registrada a gratidão ao cupincha Ivo, que me enviou o texto.