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A Balada e o Ar de Dylan.

11 jul

Tive a sorte de trabalhar em dois livros dylanescos que chegaram há pouco nas livrarias.

Fiz a tradução de A balada de Bob Dylan – Um retrato musical que saiu pela Zahar e a preparação do mais novo Vila-Matas, Ar de Dylan, para a Cosac.

No primeiro, o poeta, dramaturgo e biógrafo Daniel Epstein (que tem uma biografia de Nat King Cole e um livro sobre Walt Whitman no currículo) traça uma biografia do cantor, a partir de quatro concertos cruciais (1963, 1974, 1997 e 2009) em que estava presente.

Bela capa com foto de David Gahr.

Li vários livros sobre Dylan (acho que o número já supera a dúzia), mas poucos me prenderam como esse. É bom lembrar que a também ótima biografia de Robert Shelton termina em 1979, deixando mais de trinta anos a serem percorridos. Daniel Epstein retoma os principais biógrafos que o antecederam e retrata magistralmente essas três últimas décadas abordando, entre outras coisas, a fase religiosa de Dylan, a retomada do judaísmo, os conturbados anos 80, o retorno triunfal nos anos 90 (com direito a um capítulo inteiro sobre a feitura do clássico Time Out of Mind), o Grammy, o Oscar, o concerto para o papa João Paulo, um capítulo delicioso sobre “Love and Theft” (quem de vocês sabia que “Lonesome Day Blues” vem de “My Dog Can’t Bark” de Son House?), chegando até a fazer uma perspicaz análise dos dois últimos álbuns de estúdio lançados pelo cantor: Modern Times (2006) e Together Through Life (2009).

A belíssima foto de capa é de David Gahr e a da quarta é a clássica foto de Richard Mitchell com Dylan de costas no palco, acompanhado pela The Band, na antológica e antagônica turnê de 1966. O livro tem ainda uma empolgante (como sempre) apresentação do meu amigo Eduardo Bueno, que também assina a quarta. O momento é mais que propício para quem quiser passar a carreira do bardo a limpo, já que em setembro ou outubro (se tudo der certo) teremos mais um álbum de Dylan nas lojas. Sem querer puxar a sardinha para o meu prato, mas já puxando, é um livro tanto para novatos como para ortodoxos no universo dylanesco. Prestigiem!

O Ar de Dylan.

Já em Ar de Dylan, Vilnius Lancastre, publicitário fracassado e cineasta de um único curta-metragem – cuja principal característica é sua semelhança física com Dylan – bate a cabeça no chão e herda a memória do pai, o escritor recém-falecido, “especialista em se transformar a cada livro”, Juan Lancastre. As referências a Hamlet e Bob Dylan (com direito a citação inventada de No Direction Home) permeiam todo o divertido livro de Vila-Matas.

Na capa, Dylan em 1965 segurando a lâmpada gigante que figura em Dont Look Back (“Keep a good head and always carry a light bulb”), e na orelha um apaixonado texto de Fabrício Corsaletti. Outra boa sugestão de leitura para os fãs do bardo e do catalão.

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